terça-feira, abril 19, 2011

Filhos de Assassinos



Alguns excertos da estreia da peça "Filhos de Assassinos" de Katori Hall, produzida pelo TnE e encenada por Jaime Pacheco.

Apoios: AEC, CMV, Culturgest (Panos).
Local: Centro Cultural de Campo, Valongo.

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sábado, fevereiro 10, 2007

A Toca do Lobo

Novo blog em:

A Toca do Lobo

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domingo, fevereiro 04, 2007

SIM!

No próximo dia 11 de Fevereiro vou votar SIM, porque nesta como em outras questões gosto de pensar pela minha cabeça.

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sábado, maio 27, 2006

Cresce... Cresce...

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Fazer Políticos

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segunda-feira, janeiro 23, 2006

A Vitória Anunciada

Tal como se esperava Cavaco Silva venceu as eleições presidenciais de 22 de Janeiro.

Curiosamente o candidato da direita venceu por uma margem mínima, bem longe da vitória esmagadora que se anunciava, mas, por mais ou por menos, isso é um factor de somenos, o importante é que ganhou.

Cavaco Silva, o homem dos tabús, preparou ao longo de 10 anos a vitória nas presidenciais e a estratégia resultou. Não foi uma vitória do PSD, nem muito menos do CDS/PP, foi sem dúvida uma vitória pessoal de alguém que soube, como poucos, esperar o momento certo e manipular, ou colocar ao seu serviço, aqueles que agora tentam pôr-se em bicos de pés para conseguir alguns louros, esquecendo-se que estrategicamente não desempenharam papel nenhum a não ser o de se colocarem ao serviço do candidato como se de marionetas se tratassem. No fim da festa, tal como Pinóquio, as marionetas pretendem ganhar vida própria, esquecendo-se que Cavaco (o Gepeto que lhes dá a vida) conhece bem o material com que se fazem os bonecos.

A eleição de Cavaco Silva mais, mas muito mais, que uma vitória dos partidos que o apoiaram, foi uma vitória de José Socrates. Sócrates tem o Presidente que sempre desejou no actual panorama político do País. O Primeiro-Ministro governa à direita por isso o melhor que lhe podia acontecer era um Presidente que apoiasse inequivocamente a sua política, o que infalivelmente vai acontecer. Por isso é que Mário Soares foi atirado para a selva, pois qualquer outro vencedor, que não Cavaco Silva, e em particular Manuel Alegre, seria uma ameaça para o Governo. Neste contexto Mário Soares foi simplesmente o candidato descartável que serviu de ponte para a eleição de Cavaco Silva.

Quanto a Manuel Alegre esteve a um pequeno passo de se transformar num grão na engrenagem do sistema partidocrático português. Nesta perspectiva lamento que não o tenha conseguido, pois ajudaria a clarificar muita coisa. Mas a ver vamos o que nos reserva o futuro.

Os restantes candidatos cumpriram o seu papel. Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira foram os únicos que discutiram ideias, concorde-se ou não com elas e com eles, mas o povo não quer ideias, o povo quer um messias, omnisciente e omnipresente, vulgo big brother, pois aí o têm, um big brother bicéfalo. O mesmo caminho delineado por duas cabeças: a de Sócrates e a de Cavaco.

Como nota de rodapé não quero deixar de referir a vergonhosa atitude de José Sócrates ao fazer coincidir a sua comunicação com a de Manuel Alegre e, pior ainda, a subserviência das televisões ao poder ao colocaram no ar o Primeiro Ministro, chutando para canto o candidato Manuel Alegre. Simplesmente abominável.

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País democrático? E esperam que eu acredite nisso?

Estes são os resultados das eleições de ontem num país não democrático chamado Portugal (com 2 freguesias por apurar):

Cavaco Silva...............2745491 votos.....50,59%
Manuel Alegre............1124662 votos.....20,72%
Mário Soares................778389 votos.....14.34%
Jerónimo de Sousa.......466428 votos......8,59%
Francisco Louçã...........288224 votos......5,31%
Garcia Pereira................23650 votos......0,44%

Segundo a lei eleitoral referente à votação para a Presidência da República, os votos em branco não contam para o apuramento das percentagens dos candidatos.

Nas eleições de ontem registaram-se (com 2 freguesias por apurar) 58.868 votos em branco, o que corresponde a uma percentagem de 1,06% de todos os votantes.

Se Portugal fosse um país democrático, a opinião de quase 60.000 pessoas seria tida em consideração. Num país em que bastam 7.500 assinaturas para levar um candidato a votação, a opinião de um número de pessoas suficiente para validar quase 8 candidatos não é contabilizada.

Na eleição para PR, assumir que não se quer nenhum dos candidatos e expressá-lo votando em branco é igual a escrever no boletim de voto "P*** que vos pariu a todos!"

Se é assim que eles querem...

Eis os resultados que teríamos se este país fosse democrático (com 2 freguesias por apurar):

Cavaco Silva...............2745491 votos.....50,05%
Manuel Alegre............1124662 votos.....20,50%
Mário Soares................778389 votos.....14.19%
Jerónimo de Sousa.......466428 votos......8,20%
Francisco Louçã...........288224 votos......5,25%
Garcia Pereira................23650 votos......0,43%
(votos em branco: 58868 - 1,07%)

Ou seja, na versão real (a não democrática), Cavaco Silva ganha à 1ª volta com metade e mais 32.069 votos (50,59%) e na versão democrática, Cavaco Silva ainda ganha à 1ª volta mas apenas com metade e mais 2.635 votos (50,05%).

Como é que se pode ignorar a votação de portugueses que, todos juntos têm muito mais do que o dobro do que o resultado de um dos candidatos a votação?

Foi por muito pouco que a quantidade de votos em branco não apresentou números que poderiam levar a eleição a uma segunda volta. Ao menos poupa-se algum dinheiro ao país (sim, eu sei que é apenas uma questão de bolso - se não vai para um, vai para outro - mas eu gosto de me enganar a mim próprio).

Entretanto, não sei se repararam, mas os votos em branco tiram mais percentagem a quem tem mais votos por isso, neste caso, à direita.

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sexta-feira, janeiro 20, 2006

Uma pequena diferença

A leitura de um jornal espanhol, mostrou-me a diferença que cada vez mais se acentua, entre nós.

Em Barcelona, no bairro de El Raval, nasceu, fruto da vontade de associações civicas e de pequenos empresários, uma empresa de seu nome Ravatex que tem a particularidade de dar formação e emprego a mulheres com mais de 45 anos e com problemas de integração social. Estas mulheres, são maioritariamente imigrantes e mulheres vitimas de violência doméstica. Esta empresa que nasce com o anátema de ser constituida por excluidos, poderia estar condenada aos bons oficios de caridade publica ou privada, mas não neste caso, e aqui reside o porquê deste post.

Os clientes da Ravatex (que faz trabalhos de costura), são maioritáriamente as grandes cadeias de pronto a vestir espanholas, Zara, Cortefiel, Mango, etc, etc. Não sei se fruto de politica social ou se fruto de uma nova consciência social, estas empresas viram na Ravatex uma forma de contribuir para um novo projecto mas exigindo qualidade.

E a aposta, aparentemente esta a ser ganha. Situada nas instalações de uma rede de lojas solidárias, de seu nome Moda Amiga que se dedica a vender roupa usada, tem vindo a ser objecto do interesse de diversas instituições financeiras, sendo que uma, a Caixa de Cataluyna, criou um fundo de € 65.000 para ajudar o investimento.

Este investimento nada tem de extraordinário para o sector bancário. Mas tem-no para todos aqueles que fazem parte dos excluidos. Ver ser viabilizado um projecto alternativo, sem ser necessário recorrer á caridade dos fundos públicos, é provavelmente, uma quimera em Portugal. Mas talvez também por isto a Espanha já faça parte dos 8 Paises mais ricos do mundo. E para mim , que sou um apaixonado de Espanha e dos Espanhois, mais do que a riqueza económica, é a riqueza de valores e a determinação que eu mais admiro neste povo. Digo-vos uma coisa, continuam a gozar a vida como poucos.

Bem hajam.

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quarta-feira, janeiro 18, 2006

Agora sim, "comícios"!

Dizem que a palavra foi inventada pelos romanos.

Ora nós sabemos que os romanos eram muito amigos dos "comes e bebes".

Afinal os Jantares-comício não são uma artimanha para as salas não ficarem às moscas. Antes houve alguém que resolveu dar à palavra Comício o seu verdadeiro sentido!

Assim sendo, meus amigos, não só podem deixar de lhes chamar redundantemente Jantares-comício e passar a referir-se a eles como Comícios, como ficamos a saber que o que se fazia antes era outra coisa qualquer que se poderia designar como Gritício (na parte do público) ou (na parte dos candidatos) como Falício.

Bom, para além de não soar nada bem, não tenho a certeza que, no que concerne aos candidatos, a actividade tenha mudado por aí além.

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A não ser que Comício, em vez de vir de comida, tenha a ver com "cómico".

A ser assim, da maneira que as coisas andam, bem lhes podem mudar o nome que eu não lhes acho gracinha nenhuma!

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segunda-feira, janeiro 16, 2006

Não é bem atirar a toalha...

Do que se trata aqui é de não deixar que continuem a fazer de mim parvo!

Ora vejamos...

Cavaco inventou o défice, Cavaco inventou o regimento de carreiras da função pública, Cavaco isto, Cavaco aquilo... dizem os outros, para nós ficarmos a saber.
Cavaco não diz nada e, quando diz, diz asneira. Cavaco não quer debater. Os outros protestam (fica-lhes bem) mas aceitam.

Cavaco não é político profissional. Obviamente!

Se tentasse fazer exame para o ser, chumbava!

Cavaco não conhece o país. Conhece a família e a faculdade!

Mário Soares sim, é político profissional! É um animal político! Sim, mas um predador!

Mário Soares move-se com destreza, ajudado pelo seu clã. Faz parte de todas as seitas que lhe dão jeito e tem o dom de ser, em terra de cegos (os outros candidatos) o que tem o maior olho.

Supostamente seria assim, se não estivesse na eminência de perder já à primeira volta. Então começamos a vê-lo a morder sem nexo, a falhar o pescoço da presa.
Será a velhice da fera? Ou é mesmo desespero?

Manuel Alegre é o poeta, o rosto da utopia, a última esperança daqueles que ainda acreditam na liberdade.
Será?

Manuel Alegre é o orgulho ferido. Manuel Alegre quer ajustar contas com Sócrates, que o impediu de passar de alto funcionário do aparelho para líder.
Manuel Alegre é um moralista (ou até isso será pose?). Fala de fraternidade, de decência, de pátria (mas sempre à esquerda).

Manuel Alegre é oportunista ao usar Cunhal? É sim senhor!

Manuel Alegre tem o direito de usar Cunhal? Tem sim senhor, como os outros têm o direito de usar Sousa Franco, Sá Carneiro ou Salazar. Afinal vale tudo, não é?
Manuel Alegre foi contra a co-incineração no distrito de Coimbra. Muito bem, é a sua função. Mas Manuel Alegre é deputado da nação. Se a co-incineração era má para Coimbra não o seria também para o Parque Natural da Arrábida? Manuel Alegre não sabe onde é a Arrabida. Está lá por Coimbra, quer lá saber da pátria e do orçamento de estado para alguma coisa!

Jerónimo é o discurso do costume, mas em versão simpática. Os fantasmas são os mesmos, os herois os mesmos são.

Jerónimo ficou ofendido por Alegre mencionar Cunhal!

Sacrilégio! Alguém pôs a minha cassete a tocar noutro leitor!

Louçã sabe muito! Foi sempre o melhor da turma!

Agora descobriu que o estado nunca (desde Cavaco, como convém) cumpriu a lei na atribuição de fundos do orçamento de estado para a segurança social.

Há quanto tempo é que Louçã está no Parlamento?

Quantos orçamentos já votou?

Se o Estado não cumpre a lei, porque é que Louçã não processou o estado?
Só descobriu a marosca agora ou estava a guardar o trunfo?

Louçã passou rapidamente de atirador de bosta a políticos para organizador de jantares-comício com ecrans gigantes e consultores de imagem. Não se sentem enganados? Eu sentia!

Garcia Pereira é a vitima!

Porque é, de facto. Não faz parte do jogo, tem de dar pulinhos, acenar muito e protestar até que o vejam e o deixem brincar um bocadinho com a televisão.
Garcia Pereira é incómodo e fala como quem não deve e não teme. Estar fora do jogo, afinal é cómodo.

Garcia Pereira é injuriado por ser advogado de defesa de um qualquer "direitista". Não sei se o é por acreditar na inocência do tal "direitista" mas, se assim é, se calhar deviam era aplaudi-lo.

Garcia Pereira é advogado de direito do trabalho, sabe que o Estado não cumpre a lei nesse domínio e está dentro do assunto como poucos em Portugal. Garcia Pereira já fez a respectiva denúncia?

E lá andam eles, escondendo o jogo mas mostrando as cartas, prometendo coisas que sabem não ser da competência do Presidente da República mas que ficam sempre bem numa campanha, fazendo campanha com os defeitos dos outros, que as qualidades, por muito que as estiquem e as pintem de cores bonitas, não convencem ninguém.

Um voto em branco não é atirar a toalha ao chão!

Um voto em branco é dizer: "Já conheço essa receita, já comi disso e não gosto!".

Um voto em branco é dizer: "Venham outros, que estes já cheiram mal!".

Um voto em branco, por muito que o escondam, mostra que nem tudo se divide em maiorias e minorias.

Um voto em branco só é um voto à direita para a esquerda! Para a direita é um voto à esquerda. Já alguém tinha pensado nisto?

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Na Hora de Decidir

Na sequência dos comentários deixados ao meu desabafo anterior sobre as Presidenciais 2006, nomeadamente pelo amigo que muito prezo, Muguele, do João Coutinho e ainda do amigo João Tunes, blogueiro imérito, do Água Lisa, venho esclarecer o seguinte e clarificar, tanto quanto me é possível, a minha opção.

É verdade que ainda não tenho uma decisão final sobre quem votarei na primeira volta, tudo dependerá da forma como correrer esta última semana de campanha, mas muito provavelmente acabarei por, na hora de colocar o xis no quadrado, optar por Manuel Alegre.

Esta minha decisão acenta na convicção crescente de que Manuel Alegre, para além de merecer o meu respeito, é o único candidato da esquerda que poderá defrontar, com êxito, Cavaco Silva, numa eventual segunda volta. Ao optar por Manuel Alegre já na primeira volta não estou a engolir nenhum sapo e também não ficarei com o amargo de boca de não ter feito o que não estava ao meu alcance para evitar que alguém que se encontra nos antípodas do meu pensamento possa ocupar a Presidência do meu País.

Para o Muguele uma palavra de compreensão, mas também acho que ainda não é altura de deitar a toalha ao chão. Desistir só a inevitabilidade da morte me forçará tal sorte.

Está na hora de voltar a acreditar que a utopia ainda é possível, por isso o mais provável é que na hora, no último segundo do último minuto, a minha opção seja Manuel Alegre.

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sábado, janeiro 14, 2006

Presidenciais 2006

Espelho, espelho meu...

Ontem fui ver o filme King Kong, interessante filme e não só pela qualidade dos efeitos especiais.

Neste filme e a dada altura, um dos personagens, escritor, faz o seguinte comentário a propósito de um actor hollywoodesco: "os actores viajam por muito lado, correm mundo, mas a única coisa que vêm é a sua imagem projectada no espelho".

Tal afirmação encaixa perfeitamente na maioria dos políticos da nossa praça.

Agora que se iniciou oficialmente a campanha eleitoral e os candidatos estão perfeitamente definidos, chegou a hora de fazer o meu pequeno comentário. Simples, como deve ser o de alguém que tem um caminho, mas gosta de perceber os caminhos dos outros.

Nesta campanha temos três lados. Um o da direita, perfeitamente definido, silencioso, submisso em torno do seu chefe. À espera do tempo das vacas gordas. Este bloco é liderado, como não podia deixar de ser, por Cavaco Silva. O candidato que nunca se engana e raramente tem dúvidas e que agora foi elevado à categoria divina por Valente de Oliveira que afirmou que é o candidato que tudo sabe, que tudo vê, que tudo... O candidato, que só diz o que as pessoas querem ouvir, cuja esposa submissa caminha nas suas costas, omnisciente e omnipresente, se não é deus deve ser no mínimo o big brother. Acabado de nascer, impoluto, virginal, imaculado, branco, este é o candidato sem passado e que só diz o que o povo quer ouvir, por mais primário que seja. A direita tem o seu candidato, pelo menos até à vitória (se vier a acontecer), depois se perder vai ser engraçado ver quem assume as responsabilidades, ou se ganhar quem vai querer ficar com os louros.

Ao "centro" temos o candidato que é da direita, do centro ou da esquerda conforme está mais perto ou mais longe da área do poder. É o senhor contradição, politíco politiqueiro, ou como outros, mais educados, lhe chamam: o animal político. Eis Mário Soares. Não hesita em usar os amigos, como também não hesita em virar-lhes as costas quando estes não servem as suas, ou ao seu clã, vaidades. Não é deus, nem rei, porque se diz republicano, ou será mais uma das suas contradições? Demagogo e homem de palavras fortes, caracteriza-se mais por acções fracas, mais de acordo com a sua demagogia do que com as suas palavras. Continua ainda a viver à sombra da capa do pai, velho republicano, capa essa que por mais que se estique já não chega para o seu filho. Soares precisa da "política" como qualquer um de nós, vulgar mortal, precisa de respirar e de se alimentar. No entanto temos que lhe fazer justiça, mesmo que não se goste do homem (e eu não gosto), desempenhou um papel importantíssimo na História recente de Portugal, o qual se arrisca a ficar manchado devido á sua teimosia e vaidade pessoal, ou será que é do seu clã?

À esquerda temos mais quatro candidatos: Manuel Alegre, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira.

Quatro (ou se quisermos cinco, que eu aqui até incluo o outro, o de cima) personalidades diferentes, com passados diferentes, mas que têm em comum os valores, retórica e dialética da esquerda, assim como uma passado de luta contra a ditadura. No passado não viraram a cara à luta e não hesitaram em denunciar a prepotência e a falta de liberdade, não se esconderam, não se calaram, e por isso sofreram as consequências, mas não desistiram.

Alegre, o poeta, é um homem de fortes convicções e princípios, mas também um pouco narcísico, característica que lhe advém da sua qualidade de poeta. Sendo um homem de cultura, muitas vezes as suas ideias políticas parecem ficar no limbo que existe entre o real e o ideal. É, a meu ver, o candidato da utopia e, se não fosse por mais nada, já tinha por essa razão a minha consideração e respeito. Como dizia outro poeta: sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança.

Francisco Louçã é um homem claro nas ideias, mas que precisava de passar pelo poder para que pudessemos aferir das suas reais capacidades de governação e verificar como conseguiria pôr em prática as excelentes ideias e princípios que defende em teoria. Tem aquele ar de seminarista ao qual não consegue escapar, mas que se esforça por desmentir sempre que sobre tal é questionado. Hoje Manuel Alegre chamou-lhe, com uma certa piada, um Cavaco virado do avesso. É alguém com um enorme potencial à espera da oportunidade de provar do que é capaz. Merece que nos dispamos de preconceitos e que finalmente lhe seja dada essa oportunidade.

Jerónimo de Sousa, o candidato operário. Simpático, direi até mesmo popular, mas a sua campanha presidencial não existe. Sabe que nunca lhe será dada essa responsabilidade, por isso está na campanha para tentar dar outra imagem do seu partido, até porque, na óptica marxista-leninista pura, cada eleição é mais um campo de batalha para prestar um serviço ao partido e servir interesses estratégicos mesmo que, como dizia Lenine, agora possamos dar um passo atrás para mais tarde dar dois em frente.

Garcia Pereira, o homem que nunca desiste de afirmar as suas convicções. Se não fosse por mais nada, pelo menos por isso Garcia Pereira merece a minha simpatia. Sem apoios, sem máquina, por carolice e por vontade política, lá vai o candidato tentando fazer passar a sua mensagem. Não conheço muito mais dele para além das suas fugazes aparições nas campanhas eleitorais e do seu passado pós 25 de Abril de militante maoísta, no entanto, justiça lhe seja feita, adaptou-se sem descartar as suas convicções ao contrário de outros como Durão Barroso ou Pacheco Pereira, pequeno-burgueses de origem, fizeram o percurso tradicional: revolucionários na juventude e conservadores na maturidade. Até parece que ser-se revolucionário é sinónimo de imaturidade, bem, pelo menos na cabeças daqueles senhores é.

É minha convicção que não são valorizadas nos candidatos presidenciais as suas ideias e convicções, mas muito mais os mitos e aparelhos partidários que estão por trás deles, por isso o voto é muitas vezes eivado de preconceito, consciente ou inconscientemente, e nenhum de nós escapa a este estigma. Aqui talvez o candidato que escape mais a esta análise deva ser Manuel Alegre, mas nem ele está livre desse julgamento preconceituoso.

E agora para encerrar que este post já vai longo. Na campanha poucas ideias têm sido discutidas, pois para além de ataques pessoais, mais ou menos dramáticos, ou de um ou outro assunto, que por variadas razões se encontra na ordem do dia, não se fala do desemprego, da justiça, das forças armadas, fiscalidade, etc.

Uma nota também muito negativa em relação ao PS. Ao envolver-se demasiado na campanha ao lado do seu candidato, está a fechar portas e a abrir brechas de instabilidade governativa (não é que não a mereça) caso o candidato eleito seja outro e não aquele que tão fervorosamente apoiam.

Por fim, apesar do voto ser secreto, quero deixar claras as minhas opções. Estou convencido de que o País precisa de uma segunda volta, para que a escolha do Presidente da República seja clara e não um mero artifício. Só com uma segunda volta os candidatos serão confrontados e se confrontarão com os reais problemas do País e não ficarão à espera que os jornalistas lhes façam as perguntas às quais não querem responder, mas que agora serão obrigados a fazê-lo, pois um deles será Presidente. Estou convencido que passarão à segunda volta o candidato da direita Cavaco Silva (crónica de uma vitória, ou semi-vitória anunciada ou fabricada) e o candidato da esquerda Manuel Alegre, por isso votarei Francisco Louçã na primeira volta e Manuel Alegre na segunda, caso seja este o candidato de esquerda. No entanto admito, sem qualquer relutância, alterar logo à primeira volta o meu sentido de voto, neste sentido a minha opção poderá ser logo à partida o voto em Manuel Alegre, para tanto basta, que durante a semana que vai decorrer, fique convencido que o candidato da utopia precise de todos os votos para passar à segunda. Neste caso o meu voto será, logo à primeira, Manuel Alegre.

Já aqui afirmei em artigo anterior que, caso a segunda volta seja entre Cavaco Silva e Mário Soares, não votarei em nenhum e, neste cenário o meu voto será branco ou nulo. Podem acusar-me de não ter cultura de esquerda, mas sapos já engoli uma vez e apanhei uma indigestão, por isso sapos nunca mais.

NOTA: A ordem porque são apresentados os candidatos não tem qualquer significado valorativo dos mesmos.

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segunda-feira, dezembro 26, 2005

As Rolas


São apenas duas Rolas, juntas, e olhando a rua vazia de trauseuntes. O cinzento do céu e o tronco despido de folhas indica-nos a época.

Não sabem, que o registo deste momento só foi possível porque a tecnologia nos disponibiliza meios rápidos de registo e publicação.

Não verão, nunca, a imagem que estará disponível para milhões de internautas.

Mas o que eu vi, e aqui quero repartir, é apenas uma simples manifestação da Mãe Natureza. Sem tecnologia. Sem sofisticação alguma.

Numa sociedade conflituosa, indecisa, e tantas vezes perdida, existem momentos de rara beleza.

São apenas duas ROLAS, num dia invernoso, numa cidade qualquer.

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quinta-feira, dezembro 22, 2005

O RIO. Mais uma vez e mais uma

A actual vereação da CMP é uma fonte inesgotavel de casos,que se não fossem sérios, dariam um volumoso livro de anedotas.

Na passada semana em reunião de Câmara, a mesma deliberou, num acto magnânimo, atribuir um novo nome á topominia da cidade. "Porto Feliz" é o nome escolhido. Supõe-se que Rio se deve ter oposto tenazmente à atribuição deste nome já que o mesmo representa o "espantoso???!!!!!" programa que a CMP promoveu para afastar os toxidependentes das ruas e outras minudências.Os resultados, conhecem-se, raiam o ridiculo. Mas, senhores tal como Rio disse após a ultima vitoria, agora é tempo de fazer. Não percamos tempo com a oposição. Deixem-nos trabalhar. Se não nos promovem, façamo-lo nós. Pois, democracia é assim mesmo, deram-nos o poder, exerçamo-lo.

No final do periodo lectivo e perto da quadra Natalícia, a CMP, começou a enviar para as escolas do Concelho um dicionário ilustrado. Bem, parece-me bem. Não fosse dar-se o caso de, o dito dicionário não estar completo. Apenas entregaram os volumes correspondentes ás letras de A a N. Estranhado o caso, algumas escolas contactaram a CMP e espanto dos espantos, eis que lhes dizem que a oferta foi feita pelo Jornal de Noticias (eram sobras de uma promoção), e que a CMP não tinha qualquer responsabilidade na oferta.

Se não tinha qualquer responsabilidade com a oferta e, nem queria ter, deveria ter referido o caso aquando da oferta. Não o fez.

Se achava que a oferta deveria ser completada, porque era útil e o seu custo risivel, deveria ter feito o esforço junto do JN. Não o fez.

Então que raio fez a CMP ??????? Nada. Resumiu-se a fazer de correio, esperando que as escolas agredecessem a oferta e não tornassem público a mesquinhez cultural e o chico-espertismo politico. Felizmente o caso soube-se. Infelizmente este caso aconteceu.

E assim vai a CMP e a cidade. Só mais uma coisa, Obras ? onde estão ? continuamos á espera.

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terça-feira, dezembro 13, 2005

As Presidenciais

Mesmo estando longe do acto eleitoral, a temática das Presidenciais está na ordem do dia.

Recordo que há umas semanas atrás, deixei ficar neste sitio a minha modesta opinião sobre este acto, e considerei que estava farto, desiludido e que finalmente votaria no vocalista nos Ena Pá 2000.

Pois bem, volto ao tema. Mudei de opinião.

Tenho assistido aos debates e entrevistas que os diferentes candidatos protagonizaram durante estas ultmas semanas. Confesso que algumas delas me deram uma sonolência, verdadeiramente democrática, mas o facto é que ultimamente um candidato se tem afirmado pela positiva e pela forma como cria embaraços aos seus adversários- Francisco Louçã. O homem, que tem aquele ar de seminarista franciscano, tem uma virtude; sabe como poucos, utilizar os meios de comunicação, usa com muito propósito o palco para expôr com clareza o que pensa e porque pensa dessa forma.

O debate (monologo) com Cavaco, foi a prova de fogo para me fazer decidir. Apesar da atitude agressiva do Miguel Sousa Tavares para com Louçã (MST, não gosta de Louçã )e da forma malcriada como Cavaco se posicionou, perante o seu adversário, Louçã manteve sempre uma grande elevação e marcou sempre com clareza a diferença entre ele e a candidatura de Cavaco.

Mesmo no seu terreno preferido, a economia, Cavaco foi contrariado, corrigido e ultrapassado pelo "deputado Louçã" , como acintosamente passou o debate a chamar ao seu oponente. Cavaco, claramente é um erro de casting politico. Não digo que não seja competente na sua area profissional mas, a politica exige uma capacidade que ele definitivamente não tem, a Oratoria. A forma com enfrenta as perguntas é de alguém que não esta habituado a ser contrariado, a sua postura é arrogante, o seu olhar distante e enfastiado. E sinceramente uma coisa eu constato, o homem é mesmo FEIO.

Pouco me importa que a esquerda esteja dividida. É salutar saber que de uma mesma area, existem diferentes opiniões. Pouco me importa que o Louçã, não passe á segunda volta. Não estando em risco, nenhum valor fundamental, o que me importa é que vou votar em alguém que tem um pensamento fresco e que procura ir de encontro aos anseios de muita gente que não se revê na petulância de Cavaco, no passadismo de Soares, no romantismo de Alegre e no voluntarismo de Jerónimo.

Apesar das sondagens dizerem que os debates não mudam a opinião dos eleitores, eu sou do contra e aqui digo, A MINHA MUDOU, e se a minha mudou outras podem mudar.

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quinta-feira, novembro 24, 2005

Coldplay

Ontem à noite. Pavilhão do Atlântico.


Desculpem-me todos aqueles que aqui vêm espreitar, mas hoje tenho de mencionar uma belissima esperiência nocturna.

Dia 23. 22,20H. Um ruído de impaciência grassa pelo pavilhão, de repente uma explosão de luz e cor e os sons entram de uma forma violenta através dos nossos poros. O pavilhão treme e um frémito percorre a multidão. Os Coldplay, começaram o encantamento.

Durante 1,40H, estes quatro rapazes, tocaram, encantaram e deram uma cabal demonstração de profissionalismo. Com rigor e uma simpatia, aparentemente genuina, conquistaram as milhares de almas presentes.

Meus caros, para lhes transmitir o que senti no final do concerto apenas um vernáculo da minha terra; foda-se, foi um concerto do caralho.

Desculpem. Não tenho mais palavras. Incompetência de escriva.

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quarta-feira, novembro 23, 2005

Aplausos. Muitos


Esta escultura, que esta instalada na rotunda (junto á praia)que faz a ligação entre o Porto e Matosinhos, tem em mim, um impacto muito grande. Sendo de dimensões colossais (deve ter uns 20 m de diametro por 10 de altura) está suspensa por cabos de aço e pretende ser uma homenagem aos pescadores desta cidade. Sendo de uma simplicidade desarmante, um aro de ferro, rede e cabos de aço, está sempre em movimento. A rede movimenta-se conforme a intensidade do vento o que lhe confere uma mobilidade curiosissima. Umas vezes parece as ondas do mar, outras uma anémona gigante, outras ainda uma enorme pinga de sangue celeste. Outras parecer-se-á com aquilo que cada um quer que lhe pareça.

Sempre que por lá passo espanto-me por ver um novo movimento e uma nova escultura.É de facto, na minha opinião, uma belissima prova de como a arte, abstrata, figurativa, ou que lhe quiserem chamar, pode e deve estar ao serviço de todos, mesmo para aqueles que não frequentam os museus. Ninguém fica indiferente e isso é um contributo importante para a elevação cultural de todos.

Aplausos, muitos, para a edilidade de Matosinhos.

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segunda-feira, novembro 07, 2005

O Grande "Obreiro" Rui Rio

Não gosto, nem nunca gostei do tipo Rui Rio, é autoritário, arrogante e acima de tudo demonstra uma total inépcia para gerir uma cidade como o Porto.

O Porto é uma cidade tolerante, aberta e que sempre soube pugnar por valores mais altos. Com o 1º mandato de Rui Rio verificamos o completo atropelo a tudo que cheirasse a oposição, fosse ela politica ou clubistica. Foi o arrastar das obras inacabadas da Porto 2001, de modo a esgotar a paciência de todos e assim impôr a sua vontade, foram os despejos do bairro de S. João, foi a medida de internamento compulsivo dos arrumadores, foi a corrida de automóveis na Av. da Boavista, que apenas serviu a sua vaidade, aliás como o confirmou numa entrevista, foram os cortes na actividade cultural, apesar de atribuições de verbas para musica, dita pimba, nos bairros populares, foram os ataques sistemáticos a tudo que cheirasse a cultura, diversos grupos do Porto , passaram a residir em Gaia, foi a forma despodurada como afrontou o Pedro Burmester na Casa da Musica e, foram tantos, mas tantos exemplos, que deveria ser obrigatório os Partidos da Oposição fazerem um exercício de sociologia e tentar perceber como um Homem como ele foi eleito, novamente, e com maioria absoluta.

Na tomada de posse, não deixou de imediatamente marcar o seu estilo, trauliteiro . De imediato enviou um recado ao Primeiro Ministro, para que lhe desse razão no caso do Tunel e que, desta forma, desautorizasse o seu ministro e, mais importante que isso, pura e simplesmente mandasse ás urtigas todas as leis que chumbaram o dito projecto.

Já o disse, num anterior post, e relembro agora que no Porto, infelizmente, apenas os JORNALISTAS, denunciam as arbitrariedades do Rio. Neste aspecto o Público tem-se destacado e, neste fim de semana, denuncia, mais uma, o Rio que não gostou da forma como uma entrevista dada ao Jornal de Noticias, foi tratada, pura e simplesmente ditou que apartir de agora sò entrevistas escritas e depois de ler e aceitar as perguntas.

Ganda Rio. Assim é que é, Homem.Mostra-lhes quem manda. Quem teve a maioria absoluta.
Aos portuenses, desejo-lhes uma boa dose de paciência ou uma elevada cultura civica e deste modo pôr a nú a completa incompetência do homem.

PS: alguém me recorda UMA SÒ obra sua ????? (a av.da boavista, não conta) em qualquer sector.

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quarta-feira, outubro 26, 2005

Seara de Natal

A Câmara de Sintra começou ontem a instalar as luzes de Natal aqui no sítio.
Não estou a falar da vila património mas de uma das povoações da chamada "zona tampão".
Nas últimas semanas têm-se sucedido as falhas de energia por aqui. Qual a solução? Sobrecarregar ainda mais uma instalação pública já deficitária. Excelente ideia!

Luzes de Natal a 25 de Outubro!

Situação geral:
Faltam dois meses para o Natal.
O País continua em seca severa.
O País está supostamente a tentar cortar nas despesas.
As autarquias vêem, por essa razão, os seus fundos substancialmente reduzidos.

Mais próximo:
O IC19 continua a não chegar para as encomendas. Está em obras de alargamento que não vão resolver o problema.
O IC16 continua por fazer.
A CRIL continua por terminar.
A construção continua a crescer apesar de a procura de casas ter decrescido.

Aqui no sítio:
Os espaços verdes têm sido tratados? Não!
O problema dos esgotos que entopem e rebentam está resolvido? Não!
Os passeios já foram arranjados? Não!
As ruas têm sido limpas? Não!
Os buracos das ruas já foram tapados? Não!
Há mais segurança nas ruas à noite? Nem de dia, quanto mais à noite!
Os parques infantis têm manutenção? Não!
Os carros de lavagem de ruas passam por aqui? Não!

Luzes de Natal a 25 de Agosto!

Feliz Natal onde quer que more, Dr. Seara!
E não se esqueça de comemorar o Dia das Bruxas, o Dia de Finados, O S. Martinho, o 25 de Novembro ( esse não esquece, pois), a Restauração e mais a Imaculada Conceição, que vêm todos antes, mas com luzes emprestadas.

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terça-feira, outubro 25, 2005

Tá Mal

A publicidade tem, nos tempos modernos, adquirido um papel tão importante quanto deformante de determinados comportamentos.A publicidade que com a televisão e agora com a Internet (ainda num estado incipiente) adquiriu um força impensável. Os anúncios, têm normalmente diversas fases; a primeira é dar a conhecer um novo produto; a segunda, se existir concorrência é fazer publicidade comparada, a terceira é anunciar a criação de um novo estilo de vida ou comportamento social.

Com a primeira pretende-se dar a conhecer o produto, é a fase do EXISTIMOS, a segunda quando pretendem derrotar a concorrência e dizer, somos OS MELHORES, com a terceira afirmam aquilo que é o grande objectivo de todas as grandes marcas CRIAMOS UM COMPORTAMENTO.

Da primeira fase, todos temos consciência de vermos, ouvirmos e lermos anúncios que de uma forma mais ou menos criativa nos põe á espera de saber que produto está escondido numa determinada mensagem.Do segundo, vemos por exemplo sectores ferozmente competitivos como a Banca e as Comunicações a propor mundos e fundos, para se afirmarem como os melhores.Do terceiro, temos por exemplo as vulgares sapatinhas, que no meu tempo eram as Sanjo(uma modesta fabrica de S.João da Madeira)e que apenas usavamos para a disciplina de Educação Fisica, em contraponto com as Nike ou as Puma. Vulgarmente ouvimos dizer "onde estão as minhas Nike?" ou onde "estão as minhas Levis?" , quando chegamos a este estádio, os fabricantes conseguiram um dos seus maiores trunfos, ditam o comportamento. As marcas substituem o produto. Eu não peço uma cerveja, peço uma SuperBock, eu não quero uma cola, quero uma Coca-Cola. Não ter um produto reconhecido pela tribo que frequentamos ou não consumir um dos produtos adoptados, pode ser motivo de exclusão. Tudo isto não teria relevância se a necessidade de estarmos "in" não motivasse comportamentos desviantes e mais grave ainda, na minha opinião, não levasse os anunciantes a criarem clichés reaccionários, estupidificantes e que de uma forma, incidiosa, entram no léxico comum.

Sobre esta última questão dois exemplos:

1.Montepio Geral, sector Banca.Necesidade de grande reconhecimento e por isso mesmo investimento em algo que deixe marcas.

Ele de fato de treino esparramado a ver televisão, ela a lavar a louça aproxima-se dele a esfregar um tacho. O dialogo começa com ela toda cheia de delicadezas, ele todo enfunado, ouve-a com desprezo.Ela pede um carro para ver os pais, na terra, e dar umas voltas. Ele qual Salomão decreta que carro? terra ? é já a seguir.
Esta frase, bem construida, tipifica um quadro comum a milhares de Portugueses. O desejo de ter algo e a aparente impossibilidade de a obter. A mensagem final é simples, no Banco pode realizar esse sonho. O que me parece mal é o quadro em que se desenvolve a cena. Ridiculariza aquele tipo de gente, que na pratica são os seus clientes e coloca de uma forma muito acintosa o lugar do Homem e da Mulher em planos distintos. Eles não são companheiros, eles são a mulher de limpeza e o dono da casa. Queres alguma coisa "é já a seguir". Este anúncio é feito para os pés rapados, os sem massa, os nabos.

2.Oni, Comunicações.Sector extremamente agressivo.Fundamental recordar para decidir.
Novamente um casal.Neste caso de um nível social mais elevado, falam de Internet. Ele entusiasmado fala com ela sobre a necessidade de mudarem de operador e assim ter mais vantagens. Com o que pagam á PT, pelo aluguer de telefone acrescentam mais € 4 e terão Banda Larga (ADSL). Simples. Ele percebe. Ela com um olhar extasiado, mira o infinito e depois do seu querido acabar a explicação, vira-se e exclama com a maior das naturalidades, "explica-me como se eu fosse muito burra". Sinceramente, como dizia o Diácono, não havia nexexidade.

Por fim um anúncio que sendo de uma empresa de capitais públicos deveria ter mais atenção ás suas mensagens.

GALP. Nova gasolina. Extra-terrestres.A mensagem é clara a gasolina é tão boa que parece de outro mundo (assumimos aqui que ser de outro mundo é melhor), um carro e mais uma vez uma mulher espampanante e um extra-terreste. Nada a comentar sobre o diálogo, já sobre a imagem final. sim. O final do spot é o carro de alta cilindrada desaparecer da estrada face á velocidade que atinge. Então anda o governo (todos nós) a gastar um montão de dinheiro em prevenção rodoviária e depois vemos que se quisermos andar depressa basta encher o deposito na Galp, que até voamos?!!!!!!!
Sinceramente, não havia nexexidade.

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quinta-feira, outubro 13, 2005

Aerograma

Letra: João Monge
Música: João Gil
In: “Sepes” do Trovante

Deus queira que esta
Vos mate a fome aos sentidos
Por agora

Deus queira que esta
Vos guarde a dor aos gemidos
Noite fora

Dançamos fandangos
Sobre uma navalha
Pássaros em bando
Em nuvens de limalha

E assim eu cá vou indo

Vem-me o fel à boca
As tripas ao coração
A noite trás a forca pela sua mão

Sonho com fantasmas
De pele preta e luzidia
Com manuais de coragem e cobardia

Dizem que há sempre
Um barco azul para partir
Nosso hino
Embarca a alma
E os restos de um rosto a sorrir
Do destino

Põe o meu retrato
No altar de S. João
E uma vela com formato de canhão

Cansa-me esta escrita
Com dois dedos num baraço
Assim o quis a desdita
Vai um abraço

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quinta-feira, outubro 06, 2005

Sugestões

Duas sugestões para todos os que puderem ou quiserem aceita-las.
A primeira é um livro recentemente editado em Portugal. Foi escrito por dois jornalistas do New York Times e relata o tempo decorrido entre o primeiro impacto e o desmoronar da segunda torre do World Trade Center.
O Titulo é a sintese do livro - 102 minutos.
Escrito sem comiserações ou nacionalismos parolos, os autores usam os registos das conversas tidas por telemóveis, telefones fixos, comunicações entre corporações de Bombeiros, Policia e outras que existem em New York, para junto com os testemunhos de sobreviventes criarem um relato vivo e sem contemplações. O que aconteceu, as 2794 mortes, foi também fruto da ganância e falta de entendimento entre os diversos sectores reguladores. É impressionante saber que a falta de comunicação, devido a ancestrais rivalidades, levou a que dezenas de Bombeiros ficassem dentro das torres apesar da Policia ter comunicado a iminência de queda das torres.Pura e simplesmente não se ouviam. Ler os relatos de todos os que se encontravam vivos e presos nos diversos andares, esperando conselhos para actuarem em conformidade, é arrepiante.
Um livro a ler para todos possamos ter consciência de que a nossa ousadia (criação de prédios cada vez mais altos), obriga naturalmente a ter cautelas adicionais que se compridas inviabilizam a construção, porque pura e simplesmente não é rentavél. No WTC também aconteceu isto.


A segunda sugestão é a exposição de fotografia que está presente no CCB, em lisboa, Word Press Photo 2005.
Como sempre, esta exposição traz-nos o mais belo e o mais inesperado.
Se uma foto, segundo o provérbio, vale 1000 palavras, uma foto com legenda vale muito mais.
Numa sucessão de fotos tiradas vemos mulheres, nem belas nem brutas, apenas mulheres.Todas da África do Sul. E uma legenda;
Uma em cada quatro mulheres é espancada pelo seu parceiro.
Em cada seis dias uma mulher é morta, por violência doméstica.
Em cada 26 segundos uma mulher é violada.
Eloquente.
Sudão. Fome. Desgraça.Um criança de cara atormentada, posa para que o mundo saiba que com 14 anos FOI VIOLADA CONSECUTIVAMENTE POR 4 HOMENS QUE INVADIRAM A SUA ALDEIA.
China. Terra grande, grandiosa, populosa.Serie de fotos de fábricas, onde tudo se fabrica para que nós os ocidentais possamos ter melhores produtos a preços mais baixos. Os chineses esses apenas os fabricam. O custo ?
27 operários diariamente ficam amputados de um membro.Coisa pouca em termos estatisticos.Eles são tantos ! Tantos que nos mostram como vivem 8 pessoas em dormitórios de 10 m2.
Tsunamis, furacões, tornados e outras tantas desgraças, mas também a beleza de uma foto tirada a um miudo que concorrendo pela primeira vez a um torneio, acaba por ficar em terceiro lugar. A cara de desconsolo é um momento único.A beleza de ver uma equipa de futebol feminina, numa aldeia perto de Cuzco, localidade Peruana. Sem equipamento, e com uma enorme vontade, conseguem ser cam
peãs. São mulheres do campo.Rudes. Mas belas na sua determinação.
Vão ver. Vale sempre a pena ter presente que o mundo em que vivemos, está para além daquilo que vemos.


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sábado, setembro 17, 2005

Hoje Acordei Assim

A Cultura é uma chatice. Põe-nos a pensar.

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