quinta-feira, setembro 23, 2004

Um Acto de Lucidez

Ontem à noite assisti através da CNN Espanhola à intervenção do Primeiro Ministro Espanhol na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nada de extraordinário, não se desse o caso da intervenção deste Homem ter sido de uma acutilância política anormal e de uma lucidez extraordinária.

Falar de terrorismo, para alguém, que convive com o fenómeno há décadas é sempre um exercício muito interessante e pode, até, tornar-se numa lição para quem se julga dono e senhor da verdade.

Zapatero deixou muito claro que o fenómeno terrorismo é para Espanha, não um simples acto de guerra mas antes uma questão política que tem consequências fatais sempre que se usa a força em vez do diálogo.

Zapatero, deixou claro que o facto da Espanha combater o fenómeno, não lhe era atribuida, automaticamente, uma cátedra sobre a matéria mas apenas o necessário ensinamento que "é preciso mais coragem e determinação para Não Fazer a Guerra, do que a iniciar".

Deixou claro, apelando à colaboração de todos no programa que o Presidente Brasileiro tem vindo a defender, que são as desigualdades e a falta de oportunidades que geram os focos de insatisfação e desespero potenciadores do terrorismo. Quem nada tem, a pouco pode aspirar. O céu é o almejado paraíso, por isso bomba com eles. Simples ou apenas ignorância política?

Por mim, dou-me conta que este político tem um discurso fresco, comprometido com novas lutas e sem medo de falar na aceitação das diferenças de cor, credo ou sexo. Dou por mim a ouvi-lo dizer que a Espanha só aceita a autoridade legitimada pelas Nações, das deliberações das Nações Unidas. Dou por mim a desejar ouvir este tipo de discurso em Português. Mas não, o que posso aspirar, enquanto não mudarmos a situação, é a berraria demente sobre barcos carregados de pilulas abortivas ou como uma empresa pode sabotar a falta de ideias do Minstério da Educação na colocação dos Professores.

É....... as coisas raramente são como as desejamos, mas o sonho é a última barreira a ser derrubada, por isso eu sonho um dia ter um político Português a fazer o mesmo que o Frank Zappa fez num manifesto contra a guerra; enfiar o dedo no cú, metê-lo na boca e dizer, esta merda é boa para quem faz a guerra.

Tenham um bom dia.


1 Comments:

Blogger martelo said...

Utopia?
nem tanto ao mar nem tanto à terra...isto é, mentes perversas que olham de forma oblíqua para o futuro não têm grande projecção na continuidade...
Há uns dias vi no Dicovery um programa em que os orangotangos que são normalmente vegetarianos, têm necessidade de repor glóbulos vermelhos e comem nessa situação símios de pequena dimensão. Lei natural da vida, predadores, mas naturalmente, seguindo o percurso da natureza... mas, rasgavam pedaços das presas e sem lutas repartiam os pedaços entre si ...com os bichos aprende-se algo superior.
Um dia, muito mais tarde... os humanos compreenderão que só matam a fome, quando cada um tiver o pedaço certo...que lhes mate a fome. Mas, os recursos ainda não se esgotaram...e por isso, temos o que temos!
Utopia, não?!

9/23/2004 4:52 da tarde  

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