quarta-feira, novembro 24, 2004

A Democracia e o Conforto

Durante um fim de semana, 54 ex-chefes de estado e de governo, entre eles o Engº Guterres e o Prof. Cavaco, estiveram reunidos em Madrid a analizar e perspectivar o mundo. Tomando como referencial um estudo das Nações Unidas.

O estudo, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem uma serie de indicadores, muito interessante e simultaneamente preocupantes.

Podemos verificar que para os Países desenvolvidos a preocupação maior é o terrorismo, e as formas como os seus governos atropelam os direitos individuais para em nome da segurança, criarem cada vez mais estados policiados. Do outro lado, nos países em vias de desenvolvimento, existe medo do terrorismo, no entanto a inépcia e corrupção dos quadros politicos está ao mesmo nível.

Na América Latina, por exemplo, o medo dos golpes de estado tem vindo a ser atenuado, no entanto 45% dos latinoamericanos não se importariam de apoiar um governo autoritário caso essa situação se traduzisse em melhores resultados económicos e, 42% não se importaria com o tema corrupção se as instituições funcionassem.

Ou seja numa região, tão assolada com os regimes fachistas, e onde 44% da população vive em estado de pobreza, os direitos humanos podem ser questionados se o tema for o conforto e bem- estar do povo.

Interessante é verificar que a maioria 57% , prefere o regime democrático a outro qualquer regime, apesar de 48% previlegiar o desenvolvimento à democracia.

Contradições, ou talvez não. Do estudo resulta que o que poderá estar mal é a forma como o Sistema Democrático é apresentado.

A Democracia Eleitoral não é um fim em si mesmo, mas um meio em que os eleitos, o são, para realizar os nossos anseios sociais, politicos e civis.

Com tantos exemplos, podemos perceber melhor, o porquê da estatisticas apresentadas.

O mundo tem de mudar, caso contrário corre o risco de poder colapsar próximamente. O medo doentio do desconhecido e forma insana como desbasta o património vai criar condições para o germinar de formas radicais e dementes de intervenção. O medo é o nosso maior inimigo, por isso,

Como disse Fernando Cardoso (ex-presidente do Brasil) ao encerrar a sessão, "Trata-se de combater o terror sem perder a crença nos valores fundamentais".

Por mim subscrevo.

1 Comments:

Blogger Biranta said...

Pergunta "Demolidora": O que é que mudou (ou se espera que mude), da realidade retratada, depois daquela reunião de inúteis? Peço desculpa se estou a ferir alguma susceptibilidade imatura.
Gostei, particularmente, dos "números" da America Latina. Só mesmo lá alguém poderia pensar que, com corrupção, as instituições podem funcionar. Mas o que me preocupa é o objectivo, claro, de branqueamento da corrupção, subjacente à própria pergunta. Assim não vamos a lado nenhum. Em http://sociocracia.blogspot.com, o último artigo é, por acaso, acerca deste tema. Gostaria de ouvir muitas opiniões, principalmente desinibidas!

12/02/2004 2:52 da tarde  

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