terça-feira, novembro 16, 2004

A Violência e a Tolerância

Um pequeno apontamento sobre a morte do realizador Theo Van Gogh.

Como todos sabemos a razão que, aparentamente, motivou o seu assassinato foi um filme sobre as condições das mulheres nas sociedades muçulmanas.

Um pequeno país, que alberga perto de um milhão ( 5,5% da população)de seguidores de Alá, vê-se confrontado com uma atitude intolerante e repugnante.

Como é possivel conviver com aqueles que não toleram uma opinião diferente ? Será possivel dar abrigo e direitos de igualdade a pessoas que os não compreendem ou apenas os usam em conformidade com os seus interesses, muitas vezes contra os próprios hospedeiros ? O filme apenas relata aquilo que todo o mundo sabe sobre as mulheres em países governados pelo Corão. Não têm direitos, são não pessoas e apenas existem porque a procriação passa por elas.

Estive, recentemente num país árabe, e não sendo dos mais intolerantes, verifiquei que os meus direitos lá correspondiam apenas a parte dos direitos dos nacionais. Como cheguei na época do Ramadão, não podia comer, fumar ou beber, em público mesmo não professando a religião, tenho de seguir a lei local. Muito bem, o País é deles logo as regras devem ser aceites por todos. Ok, eu aceito sem delongas, cerceia a minha liberdade mas, só lá fui porque quiz. Se quiser comprar um carro e, porque o sol é forte, quiser vidros fumados, só o posso pedir até um máximo de 30%. Os locais podem ter os vidros negros se o quiserem. Ok, eles mandam eu aceito, o País não é o meu. Vi ( ???!!!!! ) mulheres locais cobertas da cabeça aos pés que entravam nas lojas mais caras que eu podia imaginar. Compravam o quê? O que de mais caro existe na moda. Para quê? Não sei eu não via. Quando caminham na rua vão pelo menos 2 metros atrás. Ok, deve ser por terem as pernas mais curtas. Os trabalhadores, mais modestos são na sua maioria do Sri Lanka, India, Filipinas, etc, têm direitos? Nenhuns. Pagam uma quantia determinada por ano a um protector que lhes retem o passaporte e assim mantem o controlo sobre a sua vida. As mulheres são muitas delas escravas sexuais, podem queixar-se? Nem pensar. No dia em que o fazem são postas na fronteira e nunca mais podem regressar. Para quem é original dos países como Sri Lanka, India e outros que tais, a saída é provavelmente uma passo para maior miséria.

Quando vejo, a intolerância demonstrada pelo assassino do Theo Van Gogh, que se atreveu a mostrar o que existe, quando vejo manifestações de lesa direitos quando se proíbe o uso de símbolos religiosos em Países Laicos, quando vejo a ostentação dos dirigentes Arabes, pergunto: será que se deve manter o laxismo e tolerância que caracteriza as sociedades europeias? Será que não devemos exigir os mesmos direitos que lhes conferimos a eles quando visitamos os seus países? Será que atitudes laxistas não criam condições de intolerância e medo que podem levar as nossas sociedades a atitudes drásticas e intolerantes? Confesso que por mais tolerante que seja, uma visita a este tipo de país deixa uma sensação de falsidade, hipocrisia e ostenção verdadeiramente nojenta.

2 Comments:

Blogger Fernando B. said...

A intolerância e a violência, sempre andaram de mãos dadas.

Concordo com a generalidade do teu texto, que saúdo pelo conteúdo e pela forma como foi elaborado.

Aproveito para informar que o ACUSO! "2" também consta no meu outro Blog:

http://alfamalinda.blogspot.com/

Fraternas Saudações,

11/17/2004 12:35 da manhã  
Blogger Guida Alves said...

Confesso que tenho um grande fascínio pela cultura árabe, mas de facto acho que os fundamentalistas islâmicos estão a desprezar os mais elementarers direitos humanos. A intransigência e a violência contra quem quer que seja, acabam por gerar os mesmos sentimentos. E depois todos nos admiramos com a reeleição do Bush...

11/18/2004 10:48 da tarde  

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