quarta-feira, junho 22, 2005

Incompreensão

Escrevo este post, com um misto de espanto e indignação. Nos últimos dias tenho ouvido diversos comentários às anunciadas medidas do Governo para o sector público e apesar de nos últimos anos todos os governos denunciarem o sector público como o cancro das finanças públicas, nunca até hoje tinha havido a coragem de enumerar os previlégios e mordomias do mesmo sector.

Assim ficamos a saber que os nossos estimados juizes têm 2 meses de férias (mas que os mesmos dizem ser mentira pois é nessa altura, que em casa estudam os processos, ah aha ah ah ah ) que um magistrado com 40 anos de idade e 10 anos de serviço pode pedir a reforma, que os serviços de segurança pública, vulgo polícia, contribuiem com uns miseraveis 150 Milhões de Euros de défice, cada dois anos, no sector de saúde a que têm direito, porque segundo o ministro António Costa a GNR, por exemplo, com os seus 23.000 efectivos contribuiem com 1, qualquer coisa % para o sector de saúde mas, o mesmo serviço tem 230.000 beneficiários, sim é verdade 23.000 pagam para 230.000 usarem, isto deve dar prái umas 5 gerações dentro de cada agregado familiar todas a usarem aquilo que só eles usam e nós todos pagamos. É claro que trabalhar 6 anos no Banco Central dá uma reforma de 8.000 Euros, estar 3 legislaturas no parlamento a dizer que sim ao seu chefe de bancada dá direito a reforma, ou seja um Jotinha qualquer pode aos 30 anos estar com uma reforma de 4.000 Euros e os palermas todos a pagar isto. Mas no meio disto tudo não posso deixar de falar dos professores, que são uma das classes mais previligiadas que existem em Portugal senão vejamos, um professor com 20 anos de carreira tem umas 8 horas de aulas por SEMANA, um vencimento limpo de 1.500 Euros, uma reforma aos 60 anos com o ordenado por inteiro um ano com horário zero no ano de reforma, sabáticas para nada fazer e receber por inteiro o salário, baixas, com um serviço de saude muito melhor que o resto da população, sem perca de vencimento, e acima de tudo um emprego PARA TODA A VIDA.

Quando todos os outros que não são funcionários publicos, estão ameaçados por deslocalizações, reorganizações, layoff, crises económicas, objectivos etctct, estes senhores fazem greves porque lhes estão a tirar direitos adquiridos !!!!!!!!!!!!!!!
Quando todos os outros têm dramas diários sobre a carga horária, cada vez mais trabalho e menos tempo livre, estes senhores acumulam diversos empregos, tendo tempo para isso mas nunca para estarem na escola a dar apoio escolar ou a criar novas formas apelativas de dar aulas.Quando todos nós somos bombardeados em manter formação contínua para manter o posto de trabalho , estes senhores fazer cursos disparatados para terem créditos e subirem na carreira. Quando todos temos de dar o litro para sermos promovidos, mostrar que ultrapassamos os objectivos que nos traçaram, que fomos melhores que todos os outros, este senhores, são promovidos como na tropa ou fazendo cursos de culinária ou fotografia, e nunca mas NUNCA são despedidos por incompetência. Portugal é dos países em que o rácio, gasto em educação / resultados obtidos se cifra ao nível da indigência. Quando ouço o representante do sindicato dizer que a greve dos professores é um estrondoso sucesso eu pergunto estrondoso em quê ? 100 em 120.000 alunos nao fizeram exame , é isso um sucesso ? palhaços. A Greve visa dar corpo a uma indignação a um atentado aos nossos direitos, serve para prejudicar, não como o Calimero fazer beicinho. Eu, que pago aos funcionários públicos deste país, ainda não percebi o que querem. Se é a defesa de algumas dos previlégios citados, meus amigos eu estou do outro lado da barricada.

É tempo de perceber que existem direitos completamente desajustados da realidade. O esforço não pode ser pedido apenas a quem não tem condições de ter alternativas. Os funcionários públicos têm-na . O Sector Privado. Venham para cá e talvez percebam como é injusto o que querem a todo o custo manter. É um insulto a um trabalhar que trabalha ate aos 65 anos e apenas vai receber 65% do seu salário. É um ultraje a quem se vê na rua porque a fabrica fecha e vai para outro lado.Os senhores pelo menos, tem o emprego seguro.

Portugal, é de facto um case study, infelizmente muitas vezes por coisas assim. Um País de caca onde algumas classes têm previlégios que não se encontram em lado nenhum.


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