quinta-feira, junho 23, 2005

A ( Sã ) Discussão

Meu querido amigo.

Até que enfim vejo a polémica resurgir, e logo por algo que tu (pela profissão que exerces) e eu (pelos muitos amigos da área ) temos algo a acrescentar.

Ponto prévio, eu não tenho nada, RIGOROSAMENTE nada, contra os funcionários públicos. Reconheço que a mudança, em muitos sectores da máquina burocrática, é efectiva e melhorou imenso a forma como hoje os cidadãos são atendidos e vêm as suas contestações tratadas. Fico até furibundo quando os liberais apontam o sector privado como o melhor dos mundos e os gestores públicos como a corja de tachistas que acompanham os partidos de poder. Mas isto não implica uma ausência (ou um acinte) com a critica necessária ao sector público, pela simples razão que sou um dos que pagam os seus salários e mordomias, sejam eles Ministros, Deputados, Bombeiros, Professores, Juizes, Enfermeiros, etc....

Como tu próprio reconheceste o sector público foi, durante muitos anos, o sonho de qualquer incompetente ou pelo menos a quimera de quem queria ter um emprego (tuas palavras) para toda a vida e acesso a um poder miserável ou ilusório. Quem não se lembra das bestas dos guardas fiscais que estando nas fronteiras e nas alfandegas faziam a vida negra aos pequenos infractores para depois, na cumplicidade dos postos repartirem o espólio retido? Como tu bem lembras este tipo de funcionalismo é (era) apanágio de todo o estado Totalitário, já que os seus funcionários, eram comprados com pequenas benesses, para deste modo serem os seus primeiros defensores. Portugal não fugiu a esta situação.

Mas meu caro, quando eu abordo os professores (situação que te toca particularmente) faço-o porque de facto são uma classe super previligiada, e coorporativa. E digo coorporativa e não solidária porque de facto tenho experiências vividas que me demonstram isso.

Presto aqui a minha homenagem aos muitos profissionais que de uma forma honesta se prestam a exercer uma profissão com a dignidade e importância que o ensino tem. Mas lavro aqui, e em qualquer lugar o meu espanto pela forma despudorada como os professores têm vindo a lutar para manter os previlégios. São intelectualmente desonestos e têm demonstrado, pelas aparições públicas, que não têm razão.

Que fique claro, ninguém no mundo profissional (exceptuando as profissões liberais ou os empresários) tem condições como os médicos, advogados, enfermeiros, professores e mais alguns, se reparares todos com ligação ao sector público, podem ter mais que um emprego mantendo sempre e SEM QUALQUER RISCO o seu lugar no sector público. ISTO É INJUSTO. Eu não o posso fazer e não conheço quem o possa fazer. Trabalho mais de 8 horas por dia, muitas vezes ao fim de semana e estou proibido, por contrato de trabalho, de trabalhar em sectores concorrentes. E tu? como professor estás limitado? não. Quantas horas trabalhas por semana ? 8 ? 10 ?

Não estou a personalizar, sei que fazes parte daquele grupo que vive e respira a profissão. Falo de todos os outros, e são muitos infelizmente, que se enquandram no quadro traçado.Falo de todos que fazendo os serviços minimos, ganham tanto como tu, e tem as mesmas regalias que tu.

Uma coisa, tenho de reconhecer, este governo esta a ter uma actuação que me surpreende pela positiva (atenção não sou, nem nunca votei no PS ) vamos ver se existe coragem para afrontar os interesses instalados.

M. um grande abraço e uma vénia a ti, e a todos os bons e sérios profissionais sejam eles do sector público ou privado.

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