sexta-feira, setembro 02, 2005

O Animal Politico ?

Uma primeira saudação ao mentor deste Blog. Seja benvindo.

Mário Soares, goste-se ou não do seu trajecto politico (a mim só me interessa analizar este aspecto, já que o pessoal diz respeito aos seus próximos), tem demonstrado uma apetência invulgar para o desafio político. Mais que uma tarefa ou missão, o que estimula Soares, é a sua imposição como mentor de toda uma corrente politica. Para o conseguir não olha a meios, sejam eles quais forem. Meteu o socialisno na gaveta para conseguir o apoio do FMI, criou a UGT para debelar o perigo comunista nos trabalhadores, pelo caminho trucidou antigos camaradas como Sotto Mayor Cardia e Salgado Zenha. Durante a sua ascenção no panorama politico português ( e assumamos internacional) fez amigos tão variados como o Carlucci (chefe da CIA nos tempo quentes) e Araft (OLP ) inimigos como Fidel e Bush e teve aproximações idilicas a Freitas do Amaral e ao Bloco de Esquerda. Este homem é um verdadeiro 2 em 1.

Reflitamos em algumas coisas:

1.O PS tem neste momento diversos problemas a resolver. Mas um só propósito-ganhar o máximo de lugares com poder. Não importando para isso quem tem de apoiar. Logo que ganhe, É candidato. Exemplos como a Camara de Lisboa demonstram bem isto.

2. O Sócrates não é nem nunca foi um defensor do romantismo politico do Manuel Alegre, foi aliás um adversário na corrida interna para Secretário Geral. Ao romantismo sobrepôs-se o pragmatismo tecnocrático.

3. Inteligente, Socrates soube chamar um politico em alta ( Freitas do Amaral) para dar um ar de competência e indepêndencia. Criou um problema Freitas é um politico com ambições e curriculum . Vejam-se as suas intervenções antes da sua entrada no governo e os seus posteriores comentários.

4. Socrates estava com diversos problemas, encontrou uma solução. Mário Soares.

Abafa Manuel Alegre com o argumento que a sua candidatura era pouco abrangente. Como se o PR tivesse de ser uma especie de Rei.

Adia Freitas que não quer afrontar o partido que lhe deu o poder e assim correr o risco de perder tudo.

Cria uma especie de consenso á volta de uma figura que resurge, qual D. Sebastião, das brumas.

Para mim, o que me cria uma certa impressão nos neurónios não a constatação dos factos atrás descritos, mas a completa ausência de alternativas nos diversos quadrantes politicos da sociedade portuguesa. Porra é triste ver que após 30 anos de democracia o melhor que temos é o Mario Soares e o Cavaco, quais velhos dos marretas.

Uma coisa este dois têm em comum, secaram completamente o aparecimento de alternativas nos seus quadrantes de intervenção. Vai ser necessário o desaparecimento destes dois para que se atrevam a aparecer outros figurões a dizer Presente.

Por mim estou noutra, voto no vocalista dos Ená Pá 2000.

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