terça-feira, outubro 25, 2005

Tá Mal

A publicidade tem, nos tempos modernos, adquirido um papel tão importante quanto deformante de determinados comportamentos.A publicidade que com a televisão e agora com a Internet (ainda num estado incipiente) adquiriu um força impensável. Os anúncios, têm normalmente diversas fases; a primeira é dar a conhecer um novo produto; a segunda, se existir concorrência é fazer publicidade comparada, a terceira é anunciar a criação de um novo estilo de vida ou comportamento social.

Com a primeira pretende-se dar a conhecer o produto, é a fase do EXISTIMOS, a segunda quando pretendem derrotar a concorrência e dizer, somos OS MELHORES, com a terceira afirmam aquilo que é o grande objectivo de todas as grandes marcas CRIAMOS UM COMPORTAMENTO.

Da primeira fase, todos temos consciência de vermos, ouvirmos e lermos anúncios que de uma forma mais ou menos criativa nos põe á espera de saber que produto está escondido numa determinada mensagem.Do segundo, vemos por exemplo sectores ferozmente competitivos como a Banca e as Comunicações a propor mundos e fundos, para se afirmarem como os melhores.Do terceiro, temos por exemplo as vulgares sapatinhas, que no meu tempo eram as Sanjo(uma modesta fabrica de S.João da Madeira)e que apenas usavamos para a disciplina de Educação Fisica, em contraponto com as Nike ou as Puma. Vulgarmente ouvimos dizer "onde estão as minhas Nike?" ou onde "estão as minhas Levis?" , quando chegamos a este estádio, os fabricantes conseguiram um dos seus maiores trunfos, ditam o comportamento. As marcas substituem o produto. Eu não peço uma cerveja, peço uma SuperBock, eu não quero uma cola, quero uma Coca-Cola. Não ter um produto reconhecido pela tribo que frequentamos ou não consumir um dos produtos adoptados, pode ser motivo de exclusão. Tudo isto não teria relevância se a necessidade de estarmos "in" não motivasse comportamentos desviantes e mais grave ainda, na minha opinião, não levasse os anunciantes a criarem clichés reaccionários, estupidificantes e que de uma forma, incidiosa, entram no léxico comum.

Sobre esta última questão dois exemplos:

1.Montepio Geral, sector Banca.Necesidade de grande reconhecimento e por isso mesmo investimento em algo que deixe marcas.

Ele de fato de treino esparramado a ver televisão, ela a lavar a louça aproxima-se dele a esfregar um tacho. O dialogo começa com ela toda cheia de delicadezas, ele todo enfunado, ouve-a com desprezo.Ela pede um carro para ver os pais, na terra, e dar umas voltas. Ele qual Salomão decreta que carro? terra ? é já a seguir.
Esta frase, bem construida, tipifica um quadro comum a milhares de Portugueses. O desejo de ter algo e a aparente impossibilidade de a obter. A mensagem final é simples, no Banco pode realizar esse sonho. O que me parece mal é o quadro em que se desenvolve a cena. Ridiculariza aquele tipo de gente, que na pratica são os seus clientes e coloca de uma forma muito acintosa o lugar do Homem e da Mulher em planos distintos. Eles não são companheiros, eles são a mulher de limpeza e o dono da casa. Queres alguma coisa "é já a seguir". Este anúncio é feito para os pés rapados, os sem massa, os nabos.

2.Oni, Comunicações.Sector extremamente agressivo.Fundamental recordar para decidir.
Novamente um casal.Neste caso de um nível social mais elevado, falam de Internet. Ele entusiasmado fala com ela sobre a necessidade de mudarem de operador e assim ter mais vantagens. Com o que pagam á PT, pelo aluguer de telefone acrescentam mais € 4 e terão Banda Larga (ADSL). Simples. Ele percebe. Ela com um olhar extasiado, mira o infinito e depois do seu querido acabar a explicação, vira-se e exclama com a maior das naturalidades, "explica-me como se eu fosse muito burra". Sinceramente, como dizia o Diácono, não havia nexexidade.

Por fim um anúncio que sendo de uma empresa de capitais públicos deveria ter mais atenção ás suas mensagens.

GALP. Nova gasolina. Extra-terrestres.A mensagem é clara a gasolina é tão boa que parece de outro mundo (assumimos aqui que ser de outro mundo é melhor), um carro e mais uma vez uma mulher espampanante e um extra-terreste. Nada a comentar sobre o diálogo, já sobre a imagem final. sim. O final do spot é o carro de alta cilindrada desaparecer da estrada face á velocidade que atinge. Então anda o governo (todos nós) a gastar um montão de dinheiro em prevenção rodoviária e depois vemos que se quisermos andar depressa basta encher o deposito na Galp, que até voamos?!!!!!!!
Sinceramente, não havia nexexidade.

1 Comments:

Blogger Luís said...

Como se costuma dizer: onde assino?
Aterrei aqui por acaso mas gostei muito da sua reflexão. O pior do anuncio do banco, é agora andar na boca de toda a gente o "é que é já a seguir"! Ao menos o anuncio acabou em pouco tempo... A ver vamos agora esta praga!
Salvam-se alguns da vodafone e um da BMW (o cocas a guiar no deserto e que para para deixar passar um sapo - "raios te partam os sapos" - diz ele! Divertido.
No dia a seguir ao seu, também fiz um post com o titulo "Tá mal"! Simples coincidência, porque só vi o seu agora.
Beijinho ou abraço, inda não percebi... também não é relevante

10/29/2005 5:27 da tarde  

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