sexta-feira, março 11, 2005

11 de Março

Sem esquecer outro 11 de Março nos idos de 1975, a verdade é que o atentado de Madrid marca esta data de uma forma trágica e incontornável, não só à escala nacional, mas também mundial.

O terrorismo não se combate com terrorismo, mas sim com uma distribuição global da riqueza mundial. O problema não se resolverá numa ou duas gerações, mas não podemos esperar mais. É altura da Humanidade despertar para a realidade, a resolução dos problemas não pode ser adiada nem mais um minuto, pois corremos o risco de transformar o planeta num caos.

A Humanidade tem de começar a ter um pensamento global, pois os problemas que afectam as populações mais longínquas afectam-nos a nós também. Mantenhamos as nossas diferenças e acentuemos a tolerância em relação aos outros e a nós próprios, mas é urgente que se pense globalmente.

Parafraseando Kennedy junto do Muro de Berlim, apetece-me dizer que hoje somos todos madrilenos.

Apesar do meu péssimo castelhano arrisco:

HOY SOMOS TODOS MADRILEÑOS!



Nota:

O meu amigo João Tunes do Água Lisa 2 (link aí ao lado esquerdo), no comentário que fez, chama-me à atenção para a perigosidade deste post. Não deixo de lhe dar razão, devido às causas apontadas, embora a minha intenção não fosse aquela que ele vê, por isso e para que não restem dúvidas, deixo aqui a minha resposta ao seu comentário amigo e esclarecido: O meu post é mais dirigido aqueles que, sendo vítimas da desigualdade do mundo, são facilmente recrutados pelos facínoras que ajem em proveito próprio e com a única causa de provocar o terror e o caos. Para estes fundamentalistas assassinos não há qualquer perdão e urge uma acção directa e imediata.

Obrigado pelo reparo, pois de outra forma este post não ficava devidamente claro e tornaria possíveis intrepertações ou análises como a que referiste. Espero que agora compreendas onde pretendia chegar. Não se tratam de medidas a curto prazo, mas sim a médio e longo prazo. Não podemos ficar de braços cruzados, nesta hora deve reprimir-se o terrorismo, mas em simultâneo combater as suas "causas", sobretudo impedindo que a degradação e a pobreza dos países asiáticos, africanos e americanos, vítimas do colonialismo e do racismo branco, se tornem campo de recrutamento fácil para os terroristas. Repara que os verdadeiros terroristas nunca, ou raramente, morrem nos atentados, são sempre os fanatizados política ou religiosamente facilmente recrutados nas populações mais pobres e marginalizadas dos países mais pobres, ou que vivem nos guetos criados pelos países mais ricos. Faça-se um combate eficaz contra o terrorismo, mas trate-se em simultâneo dos problemas da pobreza e da marginalização no Mundo.

Aproximando os povos com tolerância e promovendo uma melhor distribuição da riqueza, só assim se conseguirá desmobilizar a facilidade de recrutamento dos diversos fundamentalismo e encontrar uma solução para o problema a médio ou longo prazo, não esquecendo que neste momento urge um combate eficaz aos verdadeiros terroristas, sem ocupação ilegal de países, sem generalizações estúpidas nem estigmatizações, mas com firmeza, evitando ao máximo os danos colaterais, que só dão armas aos terroristas e facilitam o seu recrutamento.

Onde estão os famosos, ou fantasiosos, serviços secretos do tempo da Guerra Fria, aqui teriam uma excelente oportunidade de actuar em prole da Humanidade e não de meros interesses pseudo-patrióticos ou patrioteiros.


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