quinta-feira, junho 30, 2005

A Morte do Combatente Guerreiro

Morreu ontem Emídio Guerreiro, tinha 105 anos carregados de juventude e lucidez. Emídio Guerreiro foi um dos vultos mais marcantes da História de Portugal do século passado.

Homem coerente e grande combatente da liberdade, sem ambições pessoais para além da santa liberdade, grande cavaleiro da utopia.

Muitos que nós agora louvamos pelo seu passado de luta anti-fascista perderam-se em combates estéreis de luta pelo poder dentro dos seus próprios partidos, agentes activos de depurações e perseguições, de intrigas e calúnias. O tempo apaga estes "pequenos" desvios de homens considerados "grandes". Por muito que nos custe não podemos mascarar ou apagar os defeitos daqueles que foram, por muitos, considerados "grandes" e até o foram, pois na noite mais longa não hesitaram em hipotecar uma vida de conforto por outra de activa militância anti-fascista.

Pequeno e franzino de corpo, este foi um Homem Enorme, nunca virou a cara à luta fosse em Portugal contra a ditadura salazarista, fosse em Espanha contra o franquismo ou em França contra a ocupação nazi. Foi essencialmente um homem de acção, desprendido de ambições pessoais e lutador da causa nobre da liberdade, lá onde ela estivesse ameaçada. Internacionalista assumido a sua luta não se limitou a um patriotismo parolo e ultrapassou largamente as fronteiras deste nosso rectângulo. Não hesitou em pegar em armas quando as portas do diálogo e da racionalidade se fecharam e, sobre a Europa, se abateu o manto escuro das ditaduras.

Não era um homem perfeito, ainda bem, porque só aqueles que reconhecem a sua própria imperfeição são capazes de se transformar e ajudar a transformar os outros, ao contrário daqueles que se acham donos da verdade, homens como Emídio Guerreiro relativizam constantemente em partem sempre em busca de mais e melhor, não cristalizam debaixo de um edifício arquitectonicamente perfeito, mas cuja rigidez estrutural o leva, inevitavelmente à derrocada. Emídio Guerreiro manteve-se fiel à filosofia, não à ideologia. A ideologia rapidamente se transforma no espartilho do livre pensamento, a ideologia é castradora. O livre pensador, ou o pedreiro livre (já que estamos a falar de Emídio Guerreiro), faz da vida uma busca constante, pontos de partida, não de chegada.

Morreu Emídio Guerreiro, cavaleiro da utopia, maçon e, como diria Almada Negreiros (mesmo que descontextualizado) basta!

Morreu Emídio Guerreiro um homem que mantém na morte a mesma coerência e frontalidade que desenhou em vida. São homens assim que da lei da morte se vão libertando.

|


quinta-feira, junho 23, 2005

A ( Sã ) Discussão

Meu querido amigo.

Até que enfim vejo a polémica resurgir, e logo por algo que tu (pela profissão que exerces) e eu (pelos muitos amigos da área ) temos algo a acrescentar.

Ponto prévio, eu não tenho nada, RIGOROSAMENTE nada, contra os funcionários públicos. Reconheço que a mudança, em muitos sectores da máquina burocrática, é efectiva e melhorou imenso a forma como hoje os cidadãos são atendidos e vêm as suas contestações tratadas. Fico até furibundo quando os liberais apontam o sector privado como o melhor dos mundos e os gestores públicos como a corja de tachistas que acompanham os partidos de poder. Mas isto não implica uma ausência (ou um acinte) com a critica necessária ao sector público, pela simples razão que sou um dos que pagam os seus salários e mordomias, sejam eles Ministros, Deputados, Bombeiros, Professores, Juizes, Enfermeiros, etc....

Como tu próprio reconheceste o sector público foi, durante muitos anos, o sonho de qualquer incompetente ou pelo menos a quimera de quem queria ter um emprego (tuas palavras) para toda a vida e acesso a um poder miserável ou ilusório. Quem não se lembra das bestas dos guardas fiscais que estando nas fronteiras e nas alfandegas faziam a vida negra aos pequenos infractores para depois, na cumplicidade dos postos repartirem o espólio retido? Como tu bem lembras este tipo de funcionalismo é (era) apanágio de todo o estado Totalitário, já que os seus funcionários, eram comprados com pequenas benesses, para deste modo serem os seus primeiros defensores. Portugal não fugiu a esta situação.

Mas meu caro, quando eu abordo os professores (situação que te toca particularmente) faço-o porque de facto são uma classe super previligiada, e coorporativa. E digo coorporativa e não solidária porque de facto tenho experiências vividas que me demonstram isso.

Presto aqui a minha homenagem aos muitos profissionais que de uma forma honesta se prestam a exercer uma profissão com a dignidade e importância que o ensino tem. Mas lavro aqui, e em qualquer lugar o meu espanto pela forma despudorada como os professores têm vindo a lutar para manter os previlégios. São intelectualmente desonestos e têm demonstrado, pelas aparições públicas, que não têm razão.

Que fique claro, ninguém no mundo profissional (exceptuando as profissões liberais ou os empresários) tem condições como os médicos, advogados, enfermeiros, professores e mais alguns, se reparares todos com ligação ao sector público, podem ter mais que um emprego mantendo sempre e SEM QUALQUER RISCO o seu lugar no sector público. ISTO É INJUSTO. Eu não o posso fazer e não conheço quem o possa fazer. Trabalho mais de 8 horas por dia, muitas vezes ao fim de semana e estou proibido, por contrato de trabalho, de trabalhar em sectores concorrentes. E tu? como professor estás limitado? não. Quantas horas trabalhas por semana ? 8 ? 10 ?

Não estou a personalizar, sei que fazes parte daquele grupo que vive e respira a profissão. Falo de todos os outros, e são muitos infelizmente, que se enquandram no quadro traçado.Falo de todos que fazendo os serviços minimos, ganham tanto como tu, e tem as mesmas regalias que tu.

Uma coisa, tenho de reconhecer, este governo esta a ter uma actuação que me surpreende pela positiva (atenção não sou, nem nunca votei no PS ) vamos ver se existe coragem para afrontar os interesses instalados.

M. um grande abraço e uma vénia a ti, e a todos os bons e sérios profissionais sejam eles do sector público ou privado.

|


A Oportunidade Perdida

O meu amigo de longos anos António faz, no post anterior, um dos seus habituais ataques à função pública em geral e particulariza algumas das situações nomeadamente no que diz respeito ao ensino, ora como é a situação que conheço melhor, por isso aproveito o seu artigo como motivação extra para o que já tencionava escrever a este propósito.

Em primeiro lugar concordo completamente que há na função pública autênticos privilégios em relação à restante classe trabalhadora e, evidentemente que a origem desta bagunçada já vem desde o salazarismo belorento, mas ainda não totalmente enterrado, quando se pretendia uma função pública agradecida, obediente e acéfala, aliás como o resto do país.

Por isso se criaram determinados privilégios e foram concedidas determinadas regalias que transformavam um simples amunuense num pequeno reizinho, de um reino de fantasia entenda-se, atrás do seu balcão na mais recôndita das repartições. Quem se lembra que nos nesse tempo os funcionários públicos não pagavam impostos, sendo argumentado que em troca recebiam menos do que o equivalente na função privada, mas que ganhavam em segurança no trabalho e, porque é que o Estado devia cobrar ir buscar dinheiro que saía dos seus próprios bolsos, diziam, então pagava-se logo menos à partida.

Não havia por esse país fora rapazinho que tivesse a 4ª classe, o segundo pu 5º anos do Liceu, ou ainda curso da Escola Técnica que não sonhasse com um lugarzito numa qualquer repartição de finanças, então se fosse numa grande cidade ainda melhor, só isso já era considerado uma promoção e na terra passavam a ser vistos com outros olhos: "Olha lá vem o Manel de férias vamos ver quais as novidades que nos traz de Lisboa/Porto, que aventuras mirabolantes por lá terá vivido... etc. etc.". De chapéu na mão e olhos no chão, muito pai foi mendigar ao senhor doutor lá da terra, sim ao tal senhor doutor que lá em Lisboa privava com os senhores ministros (e não é que havia pelo menos um em todas as terra, mas que coincidência).

Aliás dizia-se, ninguém pretendia um trabalho, mas sim um emprego e ser funcionário público, que para além de um emprego era também uma missão, mas dizia, ser funcinário público era pertencer ao Estado e o Estado tem muito poder. Quem é que não pretendia ter poder e exercê-lo à custa da ignorância dos outros e usar a sua prepotenciazinha de vidas mal vividas e de recalcamentos escondidos.

Deste modo o regime garantiu famílias e gerações obedientes enquantos os outros, os que não obedeciam andavam a apanhar uns simples tabefes da pide, essa grande e paternal instituição que só queria o bem de todos, mas que às vezes tinha de dar uns tabefes nuns tipos mal educados que andavan para aí a fazer barulho e a estragar a vidinha a todos. Também eras esses estupores de "comunistas" ou lá o que isso é, uns desgraçados que nem tinham nde cair mortos, uns borra-botas, que tinha de ser postos na linha porque andavam a estragar a nossa alegre e pacata vidinha, cujo bem-estar era a cobiça do mundo. E como não é por nós, é contra nós, todos esses tipos do reviralho não passavam de uns marginais "comunistas" que era preciso meter na linha, por isso a obrigação de todo o bom português chefe de família era denunciar onde esses "criminosos" se acoitavam, para libertar o país das ervas daninhas e devolver a pureza e os valores tradicionais a que todos (menos os ditos "comunistas") tinhamos direito. E quantos bufos por aí havia... tantos, tantos que nem imaginamos quantos.

É evidente que quatro ou cinco gerações a viver sobre o manto de um regime assim cria raízes muito profundas, tão profundas que para se libertar deste estigma vão ser precisas, muito provavelmente, o dobro das gerações.

Isto das p+alavras é um bico de obra, são como os cerejas, e quantas cerejas se deitam para o lixo todos os anos. Tudo isto porque de um artigo simples, onde pretendia falar simplesmente da recente greve dos professores, profissão à qual me orgulho de pertencer, acabei por me deixar embalar pelas palavras e tecer considerações mais ou menos latas da mentalidade portuguesa. Se ainda for a tempo, vou então regressar á ideia original deste artigo.

Esta dicotimia função pública e função privada, de que o meu amigo António costuma fazer alarde, em que uns são a fonte de todos os vícios e outros de todas as virtudes não faz sentido. Eu sei que estou a exagerar e que o meu amigo não partilha exactamente dessa opinião, mas é o que dá a entender quando escreve sobre o assunto, por isso este longo preâmbulo que à partida não estava pensado.

As generalizações são perigosas, mesmo que se parta do princípio que a maioria é assim, pois a maioria não é toda a gente e eu abomino a unicidade, talvez devido à minha formação libertária e anarco-sindicalista com a qual me começo a rever cada vez mais próximo. É o regresso às origens dos tempos de juventude, talvez agora mais maduro, seja lá o que isso for.

Outra pessoa que muito prezo, MST (e não é por ser portista, porque a fé não é para aqui chamada), teceu recentemente considerações sobre os professores e o ensino, apresentou números esmagadores, esqueceu-se de dizer que a maioria (está bem, não a totalidade) dos professores tem consciência do que está mal no ensino, da mesma forma como os médicos têm essa consciência em relação à saúde, os advogados e juízes em relação à justiça, etc. O problema é que os dados apresentados são usados de forma demagógica, consciente ou inconscientemente e, por isso deturpam a realidade, porque os dados podem dizer isso tudo, mas não mostram nem comparam a realidade das escolas portuguesas com a das escolas europeias (e não se pense que aqui não há problemas). No entanto estou de acordo com o ponto fundamental dessas estatisticas apresentadas, o esbanjamento, o desperdício que se faz dos dinheiros públicos, e aqui os principais responsáveis não são os profossionais, mas sim os que ao longo dos anos tem dado sustentação a esta realidade. As estatísticas são números que não podem ser interpretados de forma leviana e muito menos demagógica, quem é que não se lembra da história da galinha e dos dois homens, só um é que a comeu, mas estatisticamente cada um comeu meia galinha.

Acusam muitas vezes os professores de só se preocuparem com reivindicações salariais, o que não é verdade, nem para os professores nem para os sindicatos que os representam. Mas então que dizer de um Governo (este e os outros, mas agora é este que está a ser monotorizado) cujas soluções evidenciam que a preocupação com a qualidade do ensino é zero, pois as únicas medidas apresentadas são todas de carácter financeiro e economicista, fazendo cortes cegos e desajustados, poupa-se no farelo e esbanja-se na farinha. Sentemo-nos a uma mesa e discutamos seriamente os problemas que afectam a qualidade do ensino, não façamos demagogia.

A propósito de cortes e poupanças ainda estou para ver quem é que vai pagar a factura dos tais 20 milhões desperdiçados no concurso de professores relativo ao arranque do ano lectivo que agora está a findar. Responsáveis políticos (ministros, secretários de estado, funcionários superiores) lesaram o Estado em milhões e, até hoje, não vi qualquer condenação, ou melhor vi: as vítimas é que foram culpadas e por isso são elas que irão pagar a factura da irresponsabilidade e incompetência de outros.

Finalmente cá estamos na Greve dos Professores.

Os referidos atrasos no início do ano lectivo levaram a que muitos solicitassem que o início dos exames do 9.º anos fossem adiados para o próximo ano lectivo. Argumentou-se, entre outras motivos, o facto de as matérias a avaliar serem relativas a um ciclo de 3 anos e, devido à extensão e má organização dos curriculos de algumas disciplinas, aliada a alguma má planificação e ainda às constantes mudanças de professores, fazem do 9.º anos um ano particularmente penoso, pois os professores que o leccionem, que muitas vezes (para não dizer maioritariamente, sempre a estatística) não acompanharam os alunos desde o 7.º ano, têm de recuperar o atraso dos anos anteriores, tornou complicada a eficácia do presente ano lectivo, como para o ano este atraso inicial que afectou o cumprimento dos programas do 8.º ano comlicará a conclusão do curriculo de muitas disciplinas, sobretudo tendo em atenção que muitos dos professores serão deslocados para outras escolas e, por isso deixarão de ter essa responsabilidade para assumir a de outros. Como se vê o problema não é linear nem de solução fácil, por isso não arranjem soluções simplestas.

Continuando, As associações profissionais e sindicais, bem como as dos encarregados de educação alertaram o Ministério da Educação (este e o outro) para o facto e sugeriram que os exames deviam ser anulados no presente ano lectivo e só iniciado no próximo. Uma vez que se manteve a intransigência dos sucessivos ministérios e que as férias estão aí à porta as associações de pais mudam radicalmente de posição e argumentam que não queriam que os exames se realizassem no presente ano lectivo, mas uma vez que se realizam então os professores (leia-se os malvados e repare-se nas coincidências com a parte inicial deste artigo) é que são responsáveis pelos eventuais traumas causados aos meninos (entenda-se ao atraso nas férias dos pais - aqueles que ainda podem ter férias, lá está a estatística, sempre a maldita estatística). mais uma vez me vem á memória uma história: era uma vez um cão que foi vítima de uma pedrada lançada por um homem, em vez de morder o homem, mordeu a pedra.

O ministério apela para o espírito de missão dos professores (e logo eu que sou um desses malvados que até nem tem fé), mas para esse estejam descansados que há sempre a ameaça de uma requisição civil, ou dos serviços mínimos, ou dumas coisas assim esquisitas e confusas que nunca ninguém percebeu muito bem, mas que também ninguém quis explicar devidamente porque interessava que ficasse sempre no ar a ameaça de falta injustificada.

Agora que estamos no último dia de greve regional (coisa esquisita esta também, ou se faz greve ou não se faz, mas enfim não é a mim que me compete decidir estas coisas, mas na abdico de as criticr) a inevitável guerra dos números. Para os Sindicatos fizeram (ou estão a fazer) greve 66% dos professores, para o Governo 0,066%. Bolas vejam lá se começam a apresentar uns núros mais próximos em que, por exemplo, a difernça seja só de 50%. A verdade é que a opinião pública e os média praticamente só valorizaram o número de exames que se fizeram ou não, esquecendo que estavam muitos, mas muitos mais professores envovidos noutras actividade, principalmente nas escolas EB 2,3 cujas aulas ainda não terminaram, com excepção das do 9.º ano, nas EB 1 e nos Jardins de Infância. Mas atenção o Ministério fez chegar uma circular de última hora dispensando as escolas das restantes actividades durante este período (atenção MST, mais uns dias a abater na sua contabilidade do período de actividade dos professores, vamos lá a abater estes três dias que nós não queremos ficar beneficiados), curiosamente esta dádiva de última hora foi esmagadoramente rejeitada pelos professores que se mantiveram suas actividades antecipadamente programadas, ultrapassando em muito as suas horas lectivas, faltando, é certo, no dia em que esteve marcada a greve na sua região, mas ninguém fala, ao contrário dos outros que falam, falam e... niguém entende nada. Ou será que entendem?


|


quarta-feira, junho 22, 2005

Incompreensão

Escrevo este post, com um misto de espanto e indignação. Nos últimos dias tenho ouvido diversos comentários às anunciadas medidas do Governo para o sector público e apesar de nos últimos anos todos os governos denunciarem o sector público como o cancro das finanças públicas, nunca até hoje tinha havido a coragem de enumerar os previlégios e mordomias do mesmo sector.

Assim ficamos a saber que os nossos estimados juizes têm 2 meses de férias (mas que os mesmos dizem ser mentira pois é nessa altura, que em casa estudam os processos, ah aha ah ah ah ) que um magistrado com 40 anos de idade e 10 anos de serviço pode pedir a reforma, que os serviços de segurança pública, vulgo polícia, contribuiem com uns miseraveis 150 Milhões de Euros de défice, cada dois anos, no sector de saúde a que têm direito, porque segundo o ministro António Costa a GNR, por exemplo, com os seus 23.000 efectivos contribuiem com 1, qualquer coisa % para o sector de saúde mas, o mesmo serviço tem 230.000 beneficiários, sim é verdade 23.000 pagam para 230.000 usarem, isto deve dar prái umas 5 gerações dentro de cada agregado familiar todas a usarem aquilo que só eles usam e nós todos pagamos. É claro que trabalhar 6 anos no Banco Central dá uma reforma de 8.000 Euros, estar 3 legislaturas no parlamento a dizer que sim ao seu chefe de bancada dá direito a reforma, ou seja um Jotinha qualquer pode aos 30 anos estar com uma reforma de 4.000 Euros e os palermas todos a pagar isto. Mas no meio disto tudo não posso deixar de falar dos professores, que são uma das classes mais previligiadas que existem em Portugal senão vejamos, um professor com 20 anos de carreira tem umas 8 horas de aulas por SEMANA, um vencimento limpo de 1.500 Euros, uma reforma aos 60 anos com o ordenado por inteiro um ano com horário zero no ano de reforma, sabáticas para nada fazer e receber por inteiro o salário, baixas, com um serviço de saude muito melhor que o resto da população, sem perca de vencimento, e acima de tudo um emprego PARA TODA A VIDA.

Quando todos os outros que não são funcionários publicos, estão ameaçados por deslocalizações, reorganizações, layoff, crises económicas, objectivos etctct, estes senhores fazem greves porque lhes estão a tirar direitos adquiridos !!!!!!!!!!!!!!!
Quando todos os outros têm dramas diários sobre a carga horária, cada vez mais trabalho e menos tempo livre, estes senhores acumulam diversos empregos, tendo tempo para isso mas nunca para estarem na escola a dar apoio escolar ou a criar novas formas apelativas de dar aulas.Quando todos nós somos bombardeados em manter formação contínua para manter o posto de trabalho , estes senhores fazer cursos disparatados para terem créditos e subirem na carreira. Quando todos temos de dar o litro para sermos promovidos, mostrar que ultrapassamos os objectivos que nos traçaram, que fomos melhores que todos os outros, este senhores, são promovidos como na tropa ou fazendo cursos de culinária ou fotografia, e nunca mas NUNCA são despedidos por incompetência. Portugal é dos países em que o rácio, gasto em educação / resultados obtidos se cifra ao nível da indigência. Quando ouço o representante do sindicato dizer que a greve dos professores é um estrondoso sucesso eu pergunto estrondoso em quê ? 100 em 120.000 alunos nao fizeram exame , é isso um sucesso ? palhaços. A Greve visa dar corpo a uma indignação a um atentado aos nossos direitos, serve para prejudicar, não como o Calimero fazer beicinho. Eu, que pago aos funcionários públicos deste país, ainda não percebi o que querem. Se é a defesa de algumas dos previlégios citados, meus amigos eu estou do outro lado da barricada.

É tempo de perceber que existem direitos completamente desajustados da realidade. O esforço não pode ser pedido apenas a quem não tem condições de ter alternativas. Os funcionários públicos têm-na . O Sector Privado. Venham para cá e talvez percebam como é injusto o que querem a todo o custo manter. É um insulto a um trabalhar que trabalha ate aos 65 anos e apenas vai receber 65% do seu salário. É um ultraje a quem se vê na rua porque a fabrica fecha e vai para outro lado.Os senhores pelo menos, tem o emprego seguro.

Portugal, é de facto um case study, infelizmente muitas vezes por coisas assim. Um País de caca onde algumas classes têm previlégios que não se encontram em lado nenhum.


|


segunda-feira, junho 13, 2005

A Morte Sai À Rua Em Dias Assim

Mais três personalidades da política e das letras portugueses morreram nastes dias. Há dois dias foi o General Vasco Gonçalves, hoje Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade.

Todos são personalidades incontornáveis da História Política e da Cultura Portuguesas. As suas personalidades são e foram polémicas, uns mais do outros, isto é os que sobressaíram pela sua actividade política (Álvaro Cunhal e Vasco Gonçalves) mais do que Eugénio de Andrade, mas também mais efémeros.

A vida dos dois primeiros e os requiens que tenho ouvido na rádio nas últimas horas denotam uma verdade inquestionável: é difil avalizar friamente a vida e obra dos que nos são contemporâneos, falta-nos o distanciamento que possibilitaria uma análise mais objectiva. Partindo deste pressuposto qualquer comentário antes de ser feito deve deve ter em atenção as opiniões e posições dos respectivos autores. Por isso cá vão as minhas:

Não sou comunista, nunca militei no Partido Comunista, mas não tenho qualquer preconceito em relação aos comunistas e aos militantes do Partido Comunista, por isso a minha opinião é, nesta matéria, equidistante.

Outro dos problemas graves quando se analisa o percurso político de uma personalidade é a tend~encia para o anacronismo histórico, isto é, analasá-la à luz da nossa própria mentalidade ignorando as transformações que, a este nível, se processaram numa ou duas gerações, particularmente no que diz respeito ao século XX.

Depois deste longo preâmbulo a minha opinião tem de ser necessariamente curta, pois praticamente está tudo dito.

Comecemos por Vasco Gonçalves, uma vez que o seu falecimento já se deu há dois dias. Foi uma personalidade controversa e estigmatizada, do ponto de vista político, no pós 25 de Abril. Foi um homem do seu tempo devidamente enquadrado com a realidade que se vivia de um mundo ainda a preto e branco, agiu de acordo com as suas próprias convicções e por isso foi, é ainda hoje, idolatrado ou odiado, muito se diz a seu respeito sem o devido conhecimento das suas acções durante o PREC. Não fui um dos seus admiradores incondicionais mas reconheço-lhe qualidades que tornaram inevitável a sua ascensão. Um homem é o que é pelo que faz ou pelo que deixa fazer e Vasco Gonçalves nunca conseguiu fugir à lógica do seu tempo e teve dificuldade em se aperceber das transformações que se davam a uma velocidade vertiginosa.

As últimas palavras quase que se aplicam na íntegra a Álvaro Cunhal, com a excepção de que Cunhal ultrapassa largamente as fronteiras nacionais. Curiosa esta coincidência do mentor morreu dois dias após o falecimento do seu pupilo. Podemos dividir a acção de Álvaro cunhal em duas partes distintas de um tronco comum. Antes do 25 de Abril foi um dos que mais se distinguiu na luta contra o salazarismo e o Estado Novo. Quando muitos, digo mesmo, a maioria, não mexeu uma palha para derrubar a ditadura salazarista, quando outros não chegaram a abandonar o conforto das suas casas ou da sua condição social, outros ainda foram opositores de pacotilha porque era de bom tom, Cunhal e os comunistas em geral e mais uns poucos, muito poucos, deram couro e cabelo na luta contra o ditadura. Esse punhado de homens corajosos e/ou idealistas merecem todo o nosso (o meu pelo menos merece) respeito e consideração. Muitos deles pagaram com a própria vida, a saúde, o degredo e a marginalização a ousadia de dizer basta, a ousadia de dizer não. Mas lá dizia o poeta: "não há machado que corte a raiz ao pensamento".

Como àparte que ilustra o que disse anteriormente, lembro-me muito bem, quando ainda jovem estudante liceal participando em manifestações contra o regime na baixa do Porto, vi muitos jovens como eu (e não só) serem espancados pela polícia de choque à porta das lojas de comerciantes que indiferentes, quando não até incentivando a acção da polícia os impediam de se refugiarem da sanha persecutória de um regime caduco e injusto que negava o direito à liberdade de opinião. Muitos desses comerciantes transformaram-se repentinamenete em fervorosos defensores da democracia, mas mantiveram sempre nos seus baús o retrato de Salazar. A cobardiateve o seu prémio.

Após o 25 de Abril a personalidade de Álvaro Cunhal manteve-se inalterável e aqui talvez a sua pior faceta, para além das depurações que levou a cabo no interior do partido no período anterior à revolução de Abril. nesta fase o seu percurso é paralelo ou convergente com o de Vasco Gonçalves.

Ambos foram homens que viveram uma época que já não existe, á qual sobreviveram, que não souberam adaptar-se nem tiveram a maleabilidade intelectual para a perceber. Cristalizaram tal como os Partidos Comunistas e, por isso, a solidez das suas ideias acabou por ser mais prejudicial do que benéfica para a evolução política do nosso País. Não se pense com isto que dou razão aos seus detractores, porque ambos são as duas faces de uma mesma moeda.

Nenhum deles, Álvaro Cunhal ou Vasco Gonçalves, devem ser idolatrados, mas no mínimo merecem o nosso respeito porque não hesitaram quando muitos se mantiveram indiferentes.

Eugénio de Andrade foi uma personalidade de outra dimensão, direi mesmo mais, foi, ou melhor é, um poeta universal, um dos maiores vultos da poesia contemporânea mundial. Eugénio de Andrade é um poeta que não se define, porque é simplesmente um poeta.

Com a morte destes três vultos e por razões obviamente diferentes, morreu também com eles uma parcela do século XX.


|


A minha Homenagem

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos como animais envelhecidos;
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor
vamos caindo ao chão apodrecidos.

Morreu o poeta. Morreu Eugénio de Andrade.

Morreu aquele que era considerado o poeta da luz. Morreu, depois de ter um percurso tortuoso pelos labirintos do funcionalismo público. Passou os seus últimos anos na sua fundação, que foi a sua última morada. Em frente ao Douro viu o rio correr para o mar assim como a sua vida corria para a extinção.

Para ti e por ti Eugénio, as tuas palavras no meu adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor.....
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus


|


domingo, junho 05, 2005

Não à Constituição Europeia!


NO a la Constitucion Europea!
NON à la Constitution Européenne!
NO a la Costituzione Europea!
NO to the European Constitution!
NEIN an die Europäische Konstitution!
NEE tegen de Europese Grondwet!



NOTA: Quem preferir o SIM é mudar no NÃO. Já agora como sei que muitos dos leitores são conhecedores de línguas, agradeço desde já qualquer colaboração que possam dar para que eu possa escrever a frase polémica no maior número de línguas possíveis.

|